{"id":645,"date":"2018-05-29T16:58:54","date_gmt":"2018-05-29T19:58:54","guid":{"rendered":"http:\/\/fredericoglitz.adv.br\/2018\/05\/29\/soja-e-bonificacao-a-velha-questao\/"},"modified":"2022-02-10T10:24:33","modified_gmt":"2022-02-10T13:24:33","slug":"soja-e-bonificacao-a-velha-questao","status":"publish","type":"imprensa","link":"https:\/\/old.glitzgondim.adv.br\/en\/imprensa\/soja-e-bonificacao-a-velha-questao\/","title":{"rendered":"SOJA E BONIFICA\u00c7\u00c3O A VELHA QUEST\u00c3O (O Estado do Paran\u00e1)"},"content":{"rendered":"<p>A bonifica\u00e7\u00e3o pela produ\u00e7\u00e3o de soja convencional n\u00e3o \u00e9 assunto novo, no entanto, ainda \u00e9 not\u00edcia. E continua sendo not\u00edcia a cada nova safra de soja. Isso porque, ano ap\u00f3s ano, ela continua a influenciar a decis\u00e3o do produtor de plantar o gr\u00e3o convencional ou transg\u00eanico.<\/p>\n<p>Esta decis\u00e3o \u00e9 influenciada pela forma como o mercado recebe cada gr\u00e3o, isto \u00e9, se h\u00e1 uma significativa diferencia\u00e7\u00e3o entre como o gr\u00e3o transg\u00eanico e o gr\u00e3o n\u00e3o transg\u00eanico s\u00e3o percebidos na l\u00f3gica do jogo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Do ponto de vista do produtor, esta diferencia\u00e7\u00e3o passa pela defini\u00e7\u00e3o da forma como ser\u00e1 remunerado. Se a remunera\u00e7\u00e3o \u201ccompensar\u201d ele tende a optar pela forma que melhor for remunerada, seja transg\u00eanica ou convencional. Trata-se da velha lei da oferta e da procura. Em tese, ainda, n\u00e3o haveria nada de errado nisso, j\u00e1 que mais e mais sobre os seus ombros s\u00e3o despejadas as responsabilidades da economia brasileira, do saldo positivo da balan\u00e7a, do <em>agribusiness<\/em>, etc. S\u00f3 a t\u00edtulo de exemplo, vale lembrar que o complexo soja, segundo dados do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, \u00e9 respons\u00e1vel por, aproximadamente, 10,7% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras no per\u00edodo de janeiro a junho de 2010.<\/p>\n<p>O problema estrutural, contudo, \u00e9 que a defini\u00e7\u00e3o sobre a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre feita com base no passado. Isso porque o per\u00edodo de plantio n\u00e3o coincide com o per\u00edodo de negocia\u00e7\u00e3o de venda. Al\u00e9m disso, a press\u00e3o pol\u00edtica tamb\u00e9m entra em jogo. Assim, por exemplo, os grandes compradores acabam definindo a regra do jogo. Hoje o maior mercado relevante para gr\u00e3os n\u00e3o transg\u00eanicos ainda \u00e9 a Europa, e os importadores europeus insistem em n\u00e3o remunerar a produ\u00e7\u00e3o convencional (que tende a ser mais custosa), pois, argumentam, este \u00e9 o \u00fanico gr\u00e3o que compram. O racioc\u00ednio \u00e9 l\u00edmpido: porque pagar a mais se voc\u00ea quer vender para mim? Em outros termos, este custo tende a ser transferido ao produtor que, nem sempre, pode arcar com ele.<\/p>\n<p>Da\u00ed porque algumas cooperativas como a COAMO e empresas como a IMCOPA que assumem a obriga\u00e7\u00e3o de entregar soja convencional aos seus clientes europeus se v\u00eaem for\u00e7adas a pagar uma bonifica\u00e7\u00e3o ao seu fornecedor. Elas, contudo, s\u00e3o mais a exce\u00e7\u00e3o que a regra. E tamb\u00e9m elas encontram dificuldade de fornecimento.<\/p>\n<p>Por outro lado, do ponto de vista do consumidor, h\u00e1 o direito da escolha e da informa\u00e7\u00e3o. Este direito pressup\u00f5e, portanto, a coexist\u00eancia entre gr\u00e3os convencionais e n\u00e3o convencionais. Se n\u00e3o houver escolha, como optar por um deles? Esta escolha, portanto, s\u00f3 \u00e9 mantida enquanto o mercado puder sustentar, de forma vi\u00e1vel, a op\u00e7\u00e3o. Na medida em que se torne economicamente insustent\u00e1vel uma das formas de produ\u00e7\u00e3o, seja por que os royalties s\u00e3o muito elevados, seja porque n\u00e3o h\u00e1 remunera\u00e7\u00e3o suficiente, o maior prejudicado acabar\u00e1 sendo o pr\u00f3prio consumidor. Este acabaria obrigado a consumir o produto dispon\u00edvel, sem que sua escolha e informa\u00e7\u00e3o fossem exercidas de forma eficaz.<\/p>\n<p>J\u00e1, do ponto de vista da sociedade como um todo, a preocupa\u00e7\u00e3o passa a ser como este tipo de condicionamento do mercado pode, de alguma forma, prejudicar a pr\u00f3pria biodiversidade. N\u00e3o custa lembrar o recent\u00edssimo caso do milho e o excessivo risco de contamina\u00e7\u00e3o a que est\u00e3o sujeitas as planta\u00e7\u00f5es n\u00e3o transg\u00eanicas.<\/p>\n<p>Enfim, ao contr\u00e1rio da primeira impress\u00e3o, o tema s\u00f3 ganha atualidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"featured_media":5125,"parent":0,"template":"","imprensa_cat":[123,54],"class_list":["post-645","imprensa","type-imprensa","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","imprensa_cat-artigo","imprensa_cat-jornal"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/old.glitzgondim.adv.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/imprensa\/645","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/old.glitzgondim.adv.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/imprensa"}],"about":[{"href":"https:\/\/old.glitzgondim.adv.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/imprensa"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/old.glitzgondim.adv.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5125"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/old.glitzgondim.adv.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"imprensa_cat","embeddable":true,"href":"https:\/\/old.glitzgondim.adv.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/imprensa_cat?post=645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}